sexta-feira, 10 de maio de 2019

Será que ensinar física é realmente como se afirma simplesmente resolver problemas e colocar um mundo de fórmulas? 
A ideia que tenho desta afirmação, muito normal nas dissertações de mestrado profissional, é que resolver problema é um verdadeiro crime e só vai fazer com que o aprendizado seja reduzido à nada.
Pensando dessa maneira, ao preparar uma lista de exercícios para uma proposta de física introdutória, me deparei com o seguinte problema: 
(a) Supondo que a água tenha uma massa específica de exatamente 1 g/cm3, determine a massa de um metro cúbico de água em quilogramas. (b) Suponha que são necessárias 10,0 h para drenar um recipiente com 5700 m³ de água. Qual é a “vazão mássica” da água do recipiente, em quilogramas por segundo?
Para resolver o item (a) do problema só preciso fazer uma conta de divisão lembrando que 1 kg = 1000 g e 1 m³ = 1000000 cm³ e chego no resultado que a massa específica da água é igual 1000 kg/m³. Isto significa que resolver este problema simplesmente fazemos uma transformação de unidades.
Pior ainda é o item (b). Para iniciar já tem uma palavra meio esquisita, "vazão mássica", que desejamos calcular em kg/s.
O professor, com ar de superioridade afirma para a turma que este é um problema trivial, e que se a tal vazão mássica é dada em kg/s, basta dividir a massa pelo tempo, fazendo as devidas transformações.
Aí usando o resultado do item anterior e transformando h em s, obtemos que a tal vazão máxima será de 158 kg/s.
Nesse momento, um aluno já afirma que deseja fazer economia e que isto não terá o menor valor para a vida dele. Será? Tentarei analisar a questão do ponto de vista "prático" e fazendo algumas simplificações. Inicialmente analisando do ponto de vista da física o que certamente não irá convencer o futuro economista.
A água é o elemento mais abundante na natureza e portanto serve de padrão para se determinar as características de outros materiais. Por exemplo, você sabia que um litro de água (volume) tem uma massa exatamente igual a 1,0 kg? Isto significa dizer que 1000 litro é igual a 1 m³.
Novamente o aluno afirma: mas professor, continuo sem saber qual a importância. Já estou perdendo a paciência mas na minha camisa está escrito (em inglês, obviamente) KEEP CALM. Vou explicar.
O litro não é a unidade de volume do sistema internacional de unidades, mas do ponto de vista prático, é bastante utilizado. Por exemplo quando você compra um refrigerante, a procura será por 2 litros, ou 1 litro ou ainda 650 mililitro. Porém quando a CASAL cobra o consumo de água da sua residência, o cálculo é realizado em m³ e não em litro.
Tirando os impostos que são muitos e abusivos, a CASAL cobra R$4,68 se você usar até 10 m³ / mês. 
Passando disso, eles dividem em intervalos de 5 até chegar a um máximo de 150 m³. O primeiro intervalo que vai de 11 m³ a 15 m³ o valor quase dobra.
Mas você só sabe que gasta litros de água e não m³. E aí? Como irá calcular o seu consumo. Então veja, que mesmo sendo um problema simples de matemática pois só envolve multiplicação e divisão, existe uma importância fundamental em se saber quantos litros existe em um metro cúbico. 
O item (b) do problema também tem aplicação prática. 
Quando desejamos encher um reservatório com água (caixa d’água) precisamos saber a vazão, o seja a quantidade (volume em litros ou massa em kg) que a bomba joga na caixa em uma unidade de tempo (segundo, minuto, hora). 
Se fosse apenas a conta, o problema não teria o menor sentido. Mas existe algo mais. Para colocar 57 milhões de litros de água em um reservatório a bomba tem que trabalhar com uma eficiência de elevar 158 litros por segundo. Então, como podemos observar, o problema não ficou limitado apenas a uma fórmula ou fazer contas. É uma questão prática, que usamos no dia a dia, de fundamental importância econômica e ambiental.
Agora, se antes de iniciar o problema o professor não faz estas (ou outras) considerações sobre a importância de saber fazer transformações de um sistema de unidades para outro, a afirmação inicial está correta, o que não implica na afirmação de que a física é simplesmente resolver problemas. 
Problema, no meu modo de entender, são situações reais que são propostas ao cientistas, engenheiros, com o objetivo não só solucionar, mas aplica-lo de modo a torná-la útil e econômica. 
Certamente o economista deverá pelo menos ter ideia do que significa os termos colocados. Mas não apenas eles. O médico certamente enfrentara problemas de vazão mássica, se um paciente tiver uma veia entupida. 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Convite para Defesa de Dissertação de Mestrado (PPGECIM/UFAL)

Convidamos a todos para assistir a Defesa da Dissertação intitulada “Gamificação no ensino de matemática: aprendizagem do campo multiplicativo”, do mestrando Ilson Mendonça Soares Prazeres, que será realizada no dia 13/05/2019 às 09h00min, no Auditório do CEDU, Campus Maceió.

Professores examinadores:
Prof. Dr. Carloney Alves de Oliveira  (CEDU/UFAL) - Orientador;
Prof. Dr. Luís Paulo Leopoldo Mercado (CEDU/UFAL)
Prof. Dr. Fábio Paraguaçu  (IC/UFAL)
Suplente: Prof. Dr. Kleber Cavalcanti Serra (IF/UFAL)


terça-feira, 7 de maio de 2019

No livros de física os autores costumam classificar os problemas * fácil, ** dificuldade média e *** maior dificuldade. Em geral, o aluno não resolve, pois acha que este tipo de problema é para gênio. Nada disso, é um problema, ao contrário de quem não entende de física e avalia diz logo: ah! um problema que só tem fórmula. Na realidade não é. Como exemplo coloco um problema deste tipo que está no livro Resnick, Halliday e Walker, Fundamentos de Física, na primeira unidade.
"Suponha que você está deitado na praia, perto do Equador, vendo o Sol se pôr em um mar calmo, e liga um cronômetro no momento em que o Sol desaparece. Em seguida, você se levanta, deslocando os olhos para cima de uma distância H = 1,70 m, e desliga o cronômetro no momento em que o Sol volta a desaparecer. Se o tempo indicado pelo cronômetro é t = 11,1 s, qual é o raio da Terra?"
É claro que não vou resolver o problema, já o fiz em um vídeo que estou produzindo e disponibilizando no youtube.
A ideia é mostrar que este problema já foi resolvido em aproximadamente 300 anos antes de Cristo. Que o relógio do Sol foi usando antigamente em muitas cidades. Portanto, física, não é só resolver problemas. Mas saber resolvê-los é fundamental para quem faz física.
Coloco uma artigo interessante de autoria de JOSÉ ROBERTO V. COSTA em Astronomia no Zenite: O universo é tudo para nós: Eratóstenes e a circunferência da Terra.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Tenho poucos colegas que exercem atividades agrícola. Mas você sabe o que significa que este ano vou plantar um alqueire de feijão? O mais interessante é que não sendo uma medida padrão, apesar do mesmo nome, os valores não são idênticos. Por exemplo, o alqueira mineiro corresponde a uma área de 4,84 hectares. Já o alqueire baiano, ali vizinho, corresponde 9,68 ha. Mas quem comprar um terreno baratinho no norte pelo mesmo preço que compraria em minas, estaria perdendo dinheiro pois o alqueire do Norte equivale a 2,72 ha. Podemos ver uma relação enorme de valores diferentes de alqueire mesmo sendo no Brasil. Assim o algueiro goiano é igual a 48.400 m².
Mas de onde vem esta palavra alqueire?
Segundo o Wikipédia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Alqueire)  Alqueire (do árabe al kayl) designava originalmente uma das bolsas ou cestas de carga que se punham, atadas, sobre o dorso e pendente para ambos os lados dos animais usados para transporte de carga. Logo, o conteúdo daquelas cestas ou bolsas, mais ou menos padronizadas pela capacidade dos animais utilizados no transporte, foi tomado como medida de secos, notadamente grãos, e depois acabou designando a área de terra necessária para o plantio de todas as sementes. Este foi o grande problema: alqueire de quê? 
Esta história, puxa outra. Em Fortaleza, uma moça que anda muito pronta, pintada, maquiagem,  vaidosa, bonitinha, era chamada na época da segunda guerra ispilicute.
A questão era que durante a segunda guerra mundial, os americanos tinham um base aérea em Fortaleza. Claro que devida a presença dos gringos, as moças se aprontavam para paquerar. O americanos então as qualificaram como "she is pretty cute", ou seja, hoje seria "gatinha". Daí veio a acunha de ispilicute. Naquela época se aportuguesava as palavras estrangeira. Hoje não. Entrega passou ser simplesmente "delivery". Tanto é que um dia passando pela Menino Marcelo, vi uma placa que dizia: "faz-se delivery".

sábado, 4 de maio de 2019

ENTREVISTA COM O PROF. ERISSON MARINHO

Prof. Esp. Erisson Marinho
Especialista em Metodologia do Ensino da Matemática e da Física, graduado em Matemática (IM/UFAL). e professor da Educação Básica (Estadual e Municipal) em dois municipios alagoanos.

Educacias pergunta:
Dentro da sua área de formação, qual a importância do Ensino de Matemática no Ensino Fundamental numa perspectiva construtivista, e a sua relação direta com os assuntos do cotidiano?

Palavras-chave: Contextualização da Matemática. Perspectiva de Ensino. Modelagem.

Prof. Esp. Erisson Marinho responde: (ouça)



Leticia de Oliveira Santos - Mestranda PPGECIM/UFAL
Prof. Dr. Kleber Cavalcanti Serra - IF/UFAL (Orientador)

Convite para Defesa de Dissertação de Mestrado (PPGECIM/UFAL)


Convidamos a todos para prestigiar a Defesa da Dissertação intitulada “A utilização do PLET na aprendizagem de matemática nas séries finais do Ensino Fundamental”, do mestrando Jailson Cardoso de Barros, que será realizada no dia 09/05/2019 às 09h30min, no Auditório do CEDU, Campus A. C. Simões.

Professores examinadores:
Prof. Dr. Ediel Azevedo Guerra  (IM/UFAL) - Orientador;
Prof. Dr. Vânio Fragoso de Melo (IM/UFAL)
Prof. Dr. Amauri da Silva Barros  (IM/UFAL)
Suplente: Prof. Dr. Givaldo Oliveira dos Santos (IFAL)